Um cantinho, um refúgio, um pertence, o bem estar,
o bem receber e o quem dera ficar por mais tempo...
Em breve...está para breve.
Até já *
O retratar a vida, a alma, os sentimentos, o desabafo... o que se quiser!
Sei de cor cada lugar teu atado em mim.
A cada lugar meu, tento entender o rumo que a vida nos faz tomar. Tento esquecer a mágoa e guardar só o que é bom de guardar!
Pensa em mim.. protege o que eu te dou, que eu penso em ti e dou-te o que de melhor eu sou.
Sem ter defesas que me façam falhar nesse lugar mais dentro, onde só chega quem não tem medo de naufragar.
Fica em mim, diz-me que vais guardar e abraçar tudo o que eu te dei.
Mesmo que a vida mude os nossos sentidos e o mundo nos leve para longe de nós e que um dia o tempo pareça perdido e tudo se desfaça num gesto só.
Eu vou guardar cada lugar teu ancorado em cada lugar meu e hoje apenas isso me faz acreditar que eu vou chegar contigo, onde só chega quem não tem medo de naufragar!
| You Are From the Sun |
![]() |
O verão está a acabar, se é que já não acabou...
Vem aí o tempo dos camisolões, dos cachecóis, das meias de lã para ir dormir...
Vem aí o tempo de ficar no nosso canto bem quentinho, a ver a chuva cair lá fora, de fazer serões com a lareira acesa... O tempo de substituir as roupas coloridas e leves do verão, pelas de tons mais escuros do Inverno!
Os chinelos ficam arrumados e dão lugar ás botas e sapatos pesados. No quarto, a cama passará a ter os grandes e fofos edredões de penas.
Tudo fica mais cheio, o armário fica cheio de casacos grandes, as gavetas de camisolas grossas, o pote da entrada de casa pelos muitos chapéus de chuva (sim, porque lá em casa todos temos a tendência de os perder!).
Vem aí o tempo de estar a dormir bem aconchegada e tapada, e acordar com as gotas da chuva a bater na janela, como quem diz " já está na hora de te levantares, sim tem de ser!" Vem aí o tempo do leite bem quente pela manhã com as torradas, o tempo dos variados chás a escaldar aos domingos à tarde num bar com os amigos.
Vem aí o tempo de os passeios estarem cobertos de folhas e de olhar o vento brincar com elas.
Vem aí o tempo em que sabe bem estar a olhar o mar rebelde e sentir a sua brisa arrepiante na nossa face...
Como é bom...sim é o Inverno a dizer: “Eu estou a chegar!”
A proximidade das pessoas torna-as contraditórias.
Se por um lado a ausência provoca ansiedade, a proximidade provoca dúvida!
O que procura uma pessoa em outra pessoa afinal?
É uma baralhação de quereres, desejos, objectivos, sonhos... de tanta coisa.
O que é que afinal julgamos nos fazer feliz?
É um deixar ser guiado pela vida, pelo que ela nos proporciona, como se traçados já estivessem os nossos passos?
Se por um lado penso que é assim, por outro não gosto muito desta ideia!
Saber que amas alguém, mas não sabes se serás feliz com ela, é estranho, é complicado, é um conflito mental, é... um fantasma que não te larga!
Olhar para ela, e ver tudo o que se quer, o que se deseja, o que se gosta, o que se sonha, o que nos faz bem, mas pensar sempre...queria mais "isto" de ti!
Gostar de alguém, é gostar do que ela é, não do que queríamos poder fazer dela!
Pior é saber que, um dia essa pessoa, só essa pessoa, te fez sentir completa em tudo, e agora por isso, é o que procuras... é isso que já tiveste, mas que se foi desmoronando... mas que queres reconquistar e apostar de novo!
E porquê? Algo ficou por dizer e fazer? Pelo sentimento de que algo mais se pode fazer? Por se ver que é demasiado grande a perda sem que mais uma tentativa seja feita?
Depois de tanto tempo, outras coisas estão diferentes em nós, coisas que aprendemos, opiniões que mudámos, desejos que foram concretizados (ou não) e por isso substituídos por outros...
Se por um lado nos conhecemos como ninguém, por outro somos desconhecidos!
Mas isto não tem que ser necessariamente mau, é bom ter o que descobrir, o que conquistar, o que desvendar... Isto será o que precisamos, nos descobrir, nos descobrir outra vez...
Porque gostar...gostar não chega!
E depois penso: "PÁRA!! xeeeee, como que a afugentar pensamentos maus,
Vive o momento, há coisas que não se pensam, sentem-se e pronto!"
O dia estava já a acabar, o cansaço era algum, mas a vontade de estar contigo para o combinado era bem maior. Confesso que havia um nervoso miudinho, não por estar contigo, mas pelo assunto que a conversa ia ter.
O sítio era o melhor para o efeito. Estava vazio, o som estava harmonioso, e devido a ser todo em vidro a vista para o rio Tejo era completa. O céu estava repleto de nuvens e o frio começou a sentir-se, mas raios de sol desabrocharam apenas nessa altura, o dia começava a dar lugar á noite.
Ali estava-se bem!
A noite já tinha chegado há muito, tinham-se passado horas sem que nos tivéssemos apercebido, nada nem ninguém nos interrompeu e ainda bem. Eram 11 da noite, não jantámos, mas nem por isso tinha fome.
No rio havia o reflexo das luzes da cidade, e em nosso redor o ambiente era ameno!
Não me vou esquecer da nossa conversa, como em tantos anos que estamos juntos, nunca te tinha dito o que disse? Como nunca me tinhas dito o que disseste?
Não percebo. Não me percebo!
Tu falas-te de mim, eu falei de ti, falámos de nós!
Olhei-te nos olhos, tentando sempre fazer com que os teus pensamentos passassem para palavras, gestos... queria isso, precisava disso!
Mudas-te...somos diferentes, mas também sempre o fomos e não foi por isso que deixámos de ter uma história só nossa, de partilha, de amor, de amizade, de vida!
Não foi uma conversa decisiva mas sim esclarecedora e era o que pretendia.
E agora falta o daqui para a frente, que não sabemos qual será, ou melhor sabemos e não sabemos, é complicado...ou talvez não, não sei.
Fiquei leve, tranquila e por um lado feliz, bem feliz!
Não são todos os dias que conseguimos passar o que pensamos e sentimos para uma simples folha de papel, quanto mais para alguém que tanto nos diz, que tanto nos é!
E foi isto que eu fiz neste dia!